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O empresário Luciano Hang, dono da lojas de departamento Havan

Empresários alvos de operação da PF fazem parte da linha de frente de apoio a Bolsonaro

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Os empresários alvos de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira, suspeitos de financiar distribuição de fake news, fazem parte da linha de frente de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Um dos primeiros a anunciar publicamente o apoio à candidatura de Bolsonaro, o empresário Luciano Hang, 57 anos, se tornou conhecido por instalar réplicas da estátua da Liberdade na porta de suas lojas de departamento Havan, cuja arquitetura é inspirada na Casa Branca, a sede do governo americano. Nascido em Santa Catarina, dono de uma fortuna estimada pela revista Forbes em R$ 2,2 milhões, ele é também investidor no mercado imobiliário e no setor elétrico.

O empresário, suspeito de financiar fake news, foi acusado pelo Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) de constranger seus mais de 10 mil funcionários a votar em Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018.

Em nota, Luciano Hang disse que tem a consciência tranquila de que jamais atentou contra os ministros do STF ou contra a instituição. "Nada tenho a esconder, uma vez que tudo o que falo está nas minhas redes sociais e é de conhecimento público."

Num vídeo distribuído pela rede interna aos colaboradores, Hang afirmou que se a "esquerda" ganhasse ele fecharia lojas e demitiria funcionários. No mesmo dia, transmitiu mensagem pelo Facebook aos funcionários, também com pedido de votos. Foi condenado a pagar uma multa irrisória, de R$ 2 mil, por propaganda eleitoral irregular.

Ele também foi multado em R$ 10 mil pelo Tribunal Superior Eleitoral por feito pagamentos ao Facebook para impulsionar publicações que promoviam a campanha de Bolsonaro. Nesta semana, ele também foi condenado a indenizar o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, em R$ 20 mil por ofensas proferidas pelo twitter.

Outro empresário na mira da PF foi Edgard Gomes Corona, 63 anos, também com destaque no apoio ao presidente e às teses conservadoras. Se apresenta como dono da maior rede de academias da América Latina, fundador da Bio Ritmo e Smart Fit, e com negócios no México, Chile e República Dominicana. Tem ainda empresas no ramo agropecuário e imobiliário, além da empresa Lokral Administração e Participações.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro incluiu academias de ginástica no rol de atividades essenciais, para que sejam retiradas das proibições de abertura durante a pandemia de Covid-19. A medida teria sido pedida por Corona.

Já o investidor Otavio Fakhoury, 45 anos, trabalhou no mercado financeiro, foi sócio da Mauá Investimentos e hoje atua com um fundo próprio, que investe em imóveis. Colecionador de armas e frequentador de clubes de tiro, costuma chamar atenção até mesmo de seus pares conservadores pela defesa do período da ditadura militar, a quem atribui boa parte do desenvolvimento do país.

Fakhoury se define como anticomunista, antiglobalista e apoiador voluntário de movimentos conservadores.

Agitado e falante, costuma andar armado. Justifica dizendo que precisa carregar arma por fazer do tiro um esporte quase diário. É apontado como financiador do site conservador Crítica Nacional, editado por Paulo Eneas, que ao lado do Vista Pátria, de Allan Frutuoso, foi apontados pelo deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que rompeu com Bolsonaro, como parte de um esquema que cria e replica campanhas de ódio ou difamação atribuídas ao chamado "gabinete do ódio", comandado pelos filhos do presidente.

Sócio de oito empresas, seis delas como sócio-administrador, Marcos Bellizia, 50 anos, atua nos setores de importação de bebidas, transporte e consultoria de mercados e administração patrimonial. Ele é um dos apoiadores e integrantes do movimento Nas Ruas, que foi comandado pela hoje deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

No Nas Ruas, Bellizia atua ao lado do também empresário Tomé Abduch, que atua na área de shoppings centers e foi um dos idealizadores dos bonecos infláveis do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, usados em manifestações em todo o país em atos anticorrupção durante a Operação Lava-Jato

Além dos empresários, também foram alvo de mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Federal em São Paulo dois assessores do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) e o youtuber Enzo Leonardo Suzi Momenti (SP), morador de São Paulo, que se apresenta como #Strongman Mais Forte da Direita, analista político e jornalista amador.

Momenti usa as redes sociais para ataques a políticos, como João Doria, e contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Logo após a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal em sua residência, ele voltou aos ataques por meio de sua conta no twitter, classificando o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que apura fake news, de "mafioso" e f.. da p..." Por sua atuação nas redes sociais, já foi processado pelo governador João Doria.

Além da nota recebido da assessoria de Hang, O GLOBO não conseguiu contato com os demais citados na operação da PF.