https://static.globalnoticias.pt/dn/image.aspx?brand=DN&type=generate&guid=61f938d5-d6c7-4fd1-bea2-86740ce3e2c6&t=20200527132334
As conferências do festival MIL Lisboa foram transferido para o Facebook.
© Festival MIL Lisboa / Ana Viotti

Do Cais do Sodré para o Facebook. O festival MIL debate online a música ao vivo

by

Depois de ter sido um dos primeiros festivais a ser cancelados pela pandemia da covid-19, o festival MIL Lisboa regressa no Facebook. A partir desta quarta-feira as conversas do evento passam para as redes sociais. Já os concertos só regressam em 2021.

Cancelado pela pandemia, como tantos outros eventos, o festival MIL promove uma série de debates no Facebook, a partir das 17.00 desta quarta-feira (27 de maio). As MIL URL talks adaptam uma das componentes do festival lisboeta: a convenção diurna para profissionais da indústria da música (a outra são os 70 concertos do cartaz do festival, adiados devido à covid-19)

Esta quarta-feira, fala-se sobre o desconfinamento do setor da música ao vivo, conta com representantes de espaços como o bracarense Theatro Circo, o lisboeta Lux Frágil ou o portuense Maus Hábitos. É a primeira de cinco conversas em direto, que se estendem até junho.

"São uma resposta direta ao facto de a convenção não se ter realizado," refere o diretor do festival, Gonçalo Riscado, ao DN. "Mas também reforçam a vontade de incentivar ao diálogo sobre o presente e o futuro destes setores ao longo do ano - e não apenas durante o festival."

https://static.globalnoticias.pt/dn/image.aspx?brand=DN&type=generate&guid=d07c24f8-ed57-41cf-8ad7-be0f576eb5ad&t=20200527132334
O festival realiza-se desde 2016, sempre na zona do Cais do Sodré. Este ano foi anulado devido à pandemia da covid-19.
© Festival MIL Lisboa / Ana Viotti

O evento era para ter acontecido a 25, 26 e 27 de março - mas, a 15 dias do seu começo, foi abruptamente cancelado. "Estava toda a gente a trabalhar: a comunicação, a produção, tudo e mais alguma coisa", recorda o diretor do MIL - Lisbon International Music Network. Ao fim de seis meses hécticos de trabalho, faltavam 15 dias para o evento se realizar em Lisboa. Até que, por ordem do plano nacional de contingência da covid-19, passou a faltar um ano.

"Isto foi tudo complicado, difícil e sem regras", comenta o diretor do MIL. "A cada dia e a cada hora, mudávamos de opinião em relação ao que era possível fazer." Prova disso foi a reunião convocada a 9 de março, com o objetivo de assegurar a calma. Sol de pouca dura, "12 horas depois, estávamos a cancelar". (Em contraste, alguns festivais de verão só se pronunciaram em maio.) No dia 10 de março, o MIL anunciou a sua decisão, 24 horas após a Direção-Geral da Saúde ter recomendado a suspensão de eventos em espaço fechado com lotação superior a mil pessoas.

Porquê cancelar, ao invés de adiar, à semelhança do que fizeram os colegas do vimaranense Westway Lab, que transita de abril para outubro? Pedro Azevedo, programador do festival, é perentório: "Nós não tínhamos qualquer tipo de possibilidade de remarcar. O trabalho logístico que significa passar 70 artistas e centenas de conferencistas para depois do verão é completamente surreal." Essa operação desenrolava-se desde setembro de 2019, mês em que abriram as candidaturas de artistas para integrarem o cartaz.

South by Southwest dá a inspiração

Embora leve artistas em ascensão a bares e clubes do Cais do Sodré, o MIL, de acordo com os seus organizadores procura ser uma interface da exportação musical. A mostra de concertos, à noite, funciona em complemento a uma convenção diurna. O modelo vem do norte-americano South by Southwest (SXSW), que percorre as artérias da cidade de Austin, Texas com atuações e conferências.

Este ano, a semelhança com SXSW não está apenas no conceito: é a primeira vez que ambos cancelam. Esta seria a quarta edição do evento português, iniciado em 2016, ainda verde em comparação aos 33 anos de vida do festival norte-americano. Contudo, em caso de pandemia, não há experiência suficiente que forneça um manual de instruções.

Gonçalo Riscado fala de um "período de negação" durante esse espaço de tempo: "Dissemos que era uma gripezinha mais violenta, que estava a haver algum histerismo." A dúvida quanto ao MIL ser ou não um evento abrangido pelas medidas da DGS fez com que ainda se equacionasse uma forma de a contornar. Se cerca de 600 profissionais comparecem à conferência, o festival mobiliza mais de dois mil indivíduos - compartidos por nove salas, de capacidade média entre as 100 e as 1000 pessoas, sendo a maior o Estúdio Time Out, no Mercado da Ribeira. "Mas isso até seria pior, porque as duas mil pessoas vão circulando de sítio em sítio. Fomos percebendo que não havia alternativas." Acabou por prevalecer "a noção daquilo que é correto fazer".