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Painel Rio COVID-19 do dia 26 de maio de 2020 Foto: Divulgação Prefeitura do Rio

Novo método da Prefeitura do Rio para registrar óbitos com Covid-19 exclui 1.177 mortos da estatística

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Após uma semana sem divulgar dados de óbitos causados pelo novo coronavírus no Painel Rio Covid-19, a Prefeitura do Rio restabeleceu nesta terça-feira a publicação dessas informações com novo método. A partir de agora, estão sendo considerados na contagem apenas mortes cujos atestados de óbito contêm confirmação de infecção pelo vírus. A mudança cria um gargalo nas estatísticas: enquanto os hospitais já registraram 2.978 vítimas fatais com suspeita ou confirmação da doença na capital, o painel mostra apenas 1.801 óbitos — uma diferença de 1.177 pessoas que já morreram e deixam de constar no painel. O número maior foi anunciado mais cedo pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), que inclui a cidade em seus boletins diários.

Os dados sobre sepultamentos são fornecidos pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, que os coletará com os cemitérios cariocas. A diferença desses dados para os dados médicos é que atestados de óbitos são emitidos, muitas vezes, antes que fiquem prontos os resultados de exames que constatam infecções por Covid-19. Uma vez que uma pessoa seja enterrada por suspeita da doença, com quadros fatais de pneumonia ou síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sua certidão de óbito teria que ser retificada para que ela passasse a ser identificada como vítima da pandemia pela Prefeitura. Isso pode ser feito em cartórios e depende dos familiares do paciente que morreu.

Na segunda-feira, a secretária municipal de saúde, Beatriz Busch, já havia afirmado que os dados estavam sendo revistos e que o sistema passaria a mostrar informações divulgadas pelos cemitérios. Ela destacou que, dessa maneira, os dados de óbito passariam a ser divulgados pela data em que, de fato, ocorreram e não quando forem confirmados após os exames laboratoriais.

A nova versão da contabilidade de óbitos tem outra fragilidade. Ao contrário dos dados médicos divulgados desde março, não há separação do número de mortos em cada bairro. Só é possível separá-los por data, sem informações sobre a localização geográfica em que as pessoas que morreram residiam. Essas informações, no molde antigo de contabilidade, vinham sendo utilizadas pela própria Prefeitura para modular medidas de isolamento social para combater o contágio do vírus. Campo Grande, bairro da Zona Oeste, por exemplo, era um dos líderes em mortes até a semana passadas e foi o primeiro a ser objeto de um "lockdown" para diminuir a circulação de pessoas.