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Bonner participou do programa Conversa com Bial (Foto: Reprodução)
NOTÍCIA

Em entrevista, Bonner lamenta o ódio crescente: 'Fui agredido verbalmente'

Âncora do JN falou que seu 'isolamento social' começou em 2018

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O jornalista William Bonner desabafou sobre as pressões da profissão, que acabam refletindo na sua vida pessoal, durante participação no programa Conversa com Bial, nessa terça-feira, 26. Ele falou que já foi insultado verbalmente em uma farmácia, por causa da polarização política.

"A polarização política chegou a um ponto em que minha presença em determinados locais públicos era motivadora de tensões. Quando eu percebi isso, percebi isso de maneira ruim, dentro de farmácia, de livraria, na calçada. Fui agredido verbalmente, insultado, desafiado dentro de uma padaria, numa manhã de sábado, no bairro da Lagoa. Uma cidadã embriagada se viu no direito de não apenas me insultar em público, mas ela fazia a um palmo e meio de distância do meu rosto. E eu não posso reagir a isso".

Ele conta que houve uma mudança no comportamento das pessoas, mas que as agressões permaneceram. "Tem gente hoje me aplaudindo que estava, há dois, três anos, me xingando. Pessoas que hoje estão me xingando, há dois, três anos, batiam palmas".

Bonner contou que hoje não usa mais redes sociais, apenas quando é necessário no trabalho. "Eu era um frequentador do Twitter, eu acho que fui um dos primeiros entre colegas a abrir uma conta de Twitter e não usava para trabalho, era para me divertir. Só que também acompanhei uma mudança de ambiente ali. O que era uma diversão boba, infantil mesmo, foi se transformando em um campo de batalha. Eu hoje muito raramente eu entro em rede social. Entro às vezes por dever de ofício. E eu ainda hoje me assusto com o ódio que escorre nas palavras mal escritas, cuspidas", disse.

Ele citou ainda o caso de estelionato envolvendo o filho Vinicius. "Meu filho tem sido alvo de estelionato há três anos. Quando ele sofreu um acidente de carro, alguém pegou a habilitação dele e botou na internet e supostamente para denunciar para dizer que estava vencida. Mas esse documento circulou pela internet e desde então meu filho tem sido alvo de estelionato. Na semana passada, às 5 para as 20h, eu recebi a informação de que o Jornal Meia Hora tinha a informação que meu filho tinha pedido o auxílio emergencial. Liguei para o advogado para que ele ligasse para o jornal e alertamos a Caixa, e avisamos que era uma fraude", relatou.

Jornalismo

Bial citou a situação dos jornalistas que têm sido alvo de hostilidade durante as coletivas em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, e afirmou que estava preocupado com a segurança dos profissionais da imprensa. "A sensação que eu tenho é que se criou toda uma situação exatamente para que se tornasse muito difícil o trabalho. Mais um passo, mais uma ação para nos dificultar, para impedir que o trabalho da imprensa seja feito. E essa intolerância que eu vejo ter surgido não nas ruas, mas no ambiente virtual, de uma maneira muito assustadora", pontuou.

O âncora do Jornal Nacional falou sobre os bastidores do jornalismo. "Nosso trabalho depende fundamentalmente que as pessoas estabeleçam conosco empatia, temos que buscar uma forma de falarmos que permita essa empatia. Se nós falarmos como robôs, não tem empatia. Se nós falarmos como atores melodramáticos, também não tem, a gente cai no ridículo. Achar o equilíbrio entre uma coisa e outra, a não ser que você nascido para fazer isso na sua vida e, definitivamente, não é o meu caso, eu apanhei muito no início da minha carreira pra encontrar um tom, e eu te digo até hoje eu busco esse tom. Na cobertura atual do coronavírus eu estou encontrando um tom diferente que havia quatro meses atrás. E eu te diria que a diferença está em pausas. Eu estou me permitindo respirar", contou.

Do Correio* para a Rede Nordeste

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