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O jornalista Daniel Martins é um dos 27 mineiros entre o grupo de mais de 300 brasileiros que aguardam o retorno para casaFoto: Arquivo pessoal

Brasileiros 'presos' no Canadá após cancelamento de viagens pedem repatriação

Embaixada do Brasil no país afirma estar negociando com empresa a decolagem de um voo comercial para trazer os mais de 300 brasileiros para casa

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Praticamente presos no Canadá desde março, quando o país norte-americano fechou as fronteiras e iniciou cancelamentos de viagens, mais de 300 brasileiros, entre eles 27 mineiros, relatam viver um verdadeiro drama para voltar para casa. A pandemia do novo coronavírus levou empresas a suspenderem voos e a previsão de volta das atividades é para julho ou agosto.

O jornalista Daniel Martins, 35, que mora em Belo Horizonte, foi ao Canadá para um curso de dois meses e estava com a volta marcada para o dia 4 de maio, mas a passagem foi cancelada três vezes. "A situação está muito complicada, a variação cambial está dificultando a ajuda que tenho da família, pagar um aluguel de um mês aqui daria R$ 4 mil", relata.

O contato com a empresa AirCanada, pela qual a maioria dos brasileiros no país comprou a passagem, também tem sido difícil. Segundo Martins, a empresa se nega a reembolsar ou realizar qualquer tipo de custeio para os que têm a viagem cancelada. "Ou eles falam que vão analisar o caso e pedem 30 dias para responder ou dizem que não foi possível remarcar e continuam com o dinheiro", relata.

Mariana Sabo, uma das responsáveis por organizar o grupo de brasileiros que quer voltar para casa, conta que já gastou mais de C$ 6 mil (dólares canadenses) em passagens. "Algumas pessoas chegaram a ter cinco, seis voos cancelados, a empresa não reembolsa, a embaixada [do Brasil no Canadá] pede para preencher formulários e nenhum é respondido, eu já preenchi oito", conta . Ela está em Ottawa, capital do país, com a irmã, que chegou a ficar doente e não foi atendida mesmo com a cobertura completa de um serviço de saúde local. "Estão se recusando a atender brasileiros", conta Mariana. Os voos das duas estão sendo cancelados desde 28 de março.

Além do problema financeiro que atinge alguns dos brasileiros, a saúde de idosos que estão na mesma situação também está ameaçada. Em um dos vídeos, Maria Elisabeth Lins, de 67 anos, conta que precisa voltar ao país para dar continuidade a tratamentos médicos contra hipertensão e ansiedade.

A paulistana Dulce também relata uma situação semelhante. A mulher foi visitar a filha e tinha planejado passar três semanas em Montreal, mas está há quase três meses e sem retorno previsto. "Eu faço um tratamento de câncer, a cada três meses eu faço um acompanhamento com um oncologista e deveria ter voltado no mês passado, já estou sem medicamento", conta.

O problema com a embaixada também é relatado por vários brasileiros, que divulgaram nas redes sociais vídeos em que listam as dificuldades. Em um deles, Claudio Lourenço, de 27 anos, conta que o órgão sugeriu a volta passando pelos Estados Unidos, mas ele não tem visto americano e a embaixada dos EUA não estariam emitindo as autorizações. Ao relatar o problema, ele ouviu das autoridades que a única opção era passar pela Europa. Uma outra brasileira presa no país contou que os preços dessa rota, passando por Paris, na França, chegam a C$ 6 mil por pessoa.

Em uma publicação na tarde desta segunda-feira (25), a Cônsul-Geral do Brasil em Toronto, Ana Lélia Benincá Beltrame, afirmou que o órgão está se preparando pra organizar a comunidade durante a pandemia. "Estamos nos preparando com a AirCanada para organizar um voo comercial para o Brasil, para quem já tem crédito e para quem deseja comprar". Ela não citou datas, mas garantiu que voltará a se comunicar pelas redes sociais para informar mais detalhes sobre a solução.

Procurados pela reportagem, o Itamaraty e a empresa Air Canada não responderam aos questionamentos.

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