Haverá suficiente investimento no Pacto Ecológico Europeu?

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Antes da pandemia, o uso de combustíveis fósseis nos transportes e na atividade económica atingia níveis insustentáveis em muitas cidades europeias, mas o confinamento reduziu em 27%, em média, as emissões poluentes na União Europeia.

O Pacto Ecológico Europeu deverá estar no centro do plano de recuperação económica elaborado pela Comissão Europeia, mas os ambientalistas querem ver para crer.

"Não tenho a certeza de que a Comissão Europeia vá ser suficientemente ambiciosa. No ano passado, a Comissão Europeia isentou os projetos financiados pelos fundos de Coesão de quaisquer obrigações em termos ambientais. Existe o risco da primeira fase da recuperação económica não obrigar a cumprir critérios ecológicos", disse o ambientalista Markus Trilling, da Rede de Ação Climática na Europa.

Que setores devem ser prioritários?

O executivo europeu apresenta, quarta-feira, uma proposta orçamental para os próximos sete anos que poderá ser superior a um bilião de euros.

O setor dos transportes é crucial e poderá ser criado um sistema para aumentar a aquisição de veículos que usam energia renovável, aumentando também os pontos de recarga para dois milhões, até 2025, no espaço dos 27 países. Mas o processo dever ser bem preparado para não causar disrupção na mobilidade.

"Deve começar-se a reformar a parte da frota mais problemática. Penso que é preciso definir o objetivo principal no que se refere a tornar o transporte mais ecológico. Falamos de emissões de dióxido de carbono, de óxido de nitrogénio ou de outras partículas poluentes? Queremos eliminar tudo? Tem de ser feita uma abordagem holística dos projetos para obter os efeitos desejados", explicou Laurianne Krid, diretora-geral da delegação europeia da Federação Internacional do Automóvel.

Também se espera que a Comissão Europeia proponha maior investimento na ferrovia transfronteiriça para evitar o grande recurso à aviação para viagens de curta distância. A construção civil é outro setor prioritário em termos de usar materiais e sistemas mais ecológicos.

Mas estes esforços não serão suficientes se a aviação e fabrico automóvel tradicionais continuarem a ser subsidiados pelos governos nacionais.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alerta que a luta contra as alterações climáticas não pode ser secundarizada: "Quando se trata de alterações climáticas, nenhuma vacina estará disponível, pelo que a Europa deve investir agora num futuro mais limpo".

"O investimento nessa reconstrução económica terá custos que vão agravar as dívidas soberanas. Se vamos aumentar a dívida que as gerações futuras terão de pagar, o mínimo que podemos fazer é investir num melhor futuro para elas ao nível das alterações climáticas", disse no Parlamento Europeu, em meados de maio.

Além do habitual orçamento plurianual para sete anos (2021-2027), o executivo comunitário vai alavancar um fundo de recuperação, para dois ou três anos, destinado a compensar os gastos ligados à pandemia.