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Na Unidade Mucuri da Suzano foram adotadas medidas para preservar a saúde e a segurança dos trabalhadores e prestadores de serviços (Foto: Divulgação)

Atividades industriais fornecem materiais importantes na luta contra a covid-19

Produções de diversas empresas são essenciais para a sociedade

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Mesmo com uma pandemia, nem todos podem ficar em casa. Existem produtos e serviços que precisam ser oferecidos, sob o risco de graves prejuízos à sociedade. Se a indústria para, faltam medicamentos, alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, além dos equipamentos de proteção para os profissionais de saúde.

Pois entre os cuidados para garantir a saúde dos funcionários e o compromisso com a sociedade, a indústria baiana segue produzindo nos últimos 60 dias. Se em alguns casos, a demanda por produtos e serviços diminuiu, em outros a produção é mais importante do que nunca.

“A nossa prioridade é proteger as nossas equipes e atender os interesses da sociedade. A gente está em um setor essencial. Nossa cadeia é fundamental inclusive para combater a epidemia” - Carlos Alfano,  diretor Industrial da Braskem

De acordo com ele, a empresa adotou todas as medidas possíveis para operar de maneira segura.

Os produtos químicos e resinas termoplásticas são fundamentais e estratégicos, pois são fornecidos para outras indústrias essenciais, como a de alimentos, de transportes, de higiene e de insumos e serviços de saúde.

Segundo Alfano, no negócio petroquímico existem setores altamente demandados e outros que enfrentam uma redução na procura. “A gente fornece para o setor automotivo, para o setor de borracha e essas atividades praticamente pararam. Mas aqueles produtos que são essenciais para o combate da pandemia, como o setor de higiene e limpeza, de descartáveis, máscaras de proteção, embalagens de alimentos e hospitalares, aumentou muito”, conta.

De acordo com ele, no líquido, houve uma redução de demanda. “A gente vem trabalhando fortemente para garantir as operações e focados em oferecer aquilo que a sociedade necessita”, diz.

Operação
Entre integrantes e terceirizados, houve uma redução de quase 50% das pessoas trabalhando nas instalações. Todas as estruturas administrativas foram transferidas para o home office. “A gente reduziu bastante o número de pessoas trabalhando fora de casa e passamos a contar com um grande número de profissionais em home office, usando uma estrutura que a gente já tinha construído”, aponta.

Além da adoção do trabalho remoto para quem pode utilizar este regime, a empresa investiu em um sistema de rodízio, de 15 dias, para as equipes operacionais. Também foram suspensas viagens, participações em eventos, reuniões com mais de 10 pessoas.

Com a mudança no sistema de turnos, a empresa passou a contar sempre com uma equipe que fica durante 15 dias em casa, em stand by. “Passamos a trabalhar com quatro equipes em turnos de 24 horas e deixamos uma quinta equipe em casa, como um back-up”, destaca Alfano. A medida garante à empresa a possibilidade de um funcionamento mínimo em último caso.

Nas unidades, aparatos tecnológicos permitem a operação com o mínimo de contato físico entre os funcionários.

Papel e celulose
A Suzano mantém uma unidade industrial no município de Mucuri, no extremo sul da Bahia, e plantios florestais distribuídos em diversos municípios da região, que abastecem a fábrica a partir de madeira de eucalipto 100% renovável. A Unidade Mucuri tem capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano (t/ano), 250 mil t/ano de papel para escrita e impressão e 60 mil t/ano de papel higiênico, gerando cerca de 6 mil empregos diretos na região. A atividade da empresa nunca foi tão essencial quanto é agora.

“Seguimos produzindo para manter a população abastecida de produtos extremamente necessários neste momento, como a embalagem que protege o medicamento, que preserva o alimento e que embala produtos de higiene. Nossa operação, portanto, vem sendo mantida, apesar de mudanças na rotina a fim de preservar a saúde e a segurança de nossos trabalhadores e prestadores de serviços” -  Mariana Lisbôa, gerente Executiva de Relações Corporativas da Suzano

Mariana Lisboa conta que diversas medidas foram adotadas para garantir a saúde dos trabalhadores em meio à pandemia do novo coronavírus. “Desde o início da pandemia da Covid-19, temos compartilhado orientações e medidas preventivas em linha com as recomendações do Ministério da Saúde, visando zelar pela saúde e segurança de nossos colaboradores, prestadores de serviços, familiares e sociedade”, explica.

Internamente, a empresa adotou um conjunto de medidas, como a atuação em home office nas atividades administrativas, monitoramento da temperatura corporal e uso de máscara para todos que acessam as unidades, além do afastamento de trabalhadores que estão em grupos de risco, suspensão das viagens, eventos e visitas à empresa, intensificação da limpeza em áreas internas e das orientações sobre medidas de prevenção, entre outras iniciativas.

Quando o coronavírus chegou ao Brasil, a DOW já tinha aprendido bastante sobre o desafio trazido pela pandemia a partir de suas operações na região da Ásia. Além disso, a empresa estava com alguns processos escritos a respeito de como enfrentar uma pandemia. Segundo Diego Arango, diretor da unidade da DOW em Aratu, parte do processo de adaptação foi facilitado também pelo fato de a empresa já ter uma cultura de home office. Apesar disso, o gestor reconhece que a empresa tem enfrentado momentos desafiadores.

“Tivemos que repensar nossa parte operacional. Hoje estamos operando com um mínimo de pessoas, visando sempre proteger todos os que estão conosco” - Diego Arango, diretor da unidade da DOW em Aratu  

Máscaras são obrigatórias em 100% do tempo, além do distanciamento no transporte e cafeteria, entre outras áreas. As rotinas de higienização foram duplicadas e o álcool gel é ofertado em toda a unidade.

Limpeza
O grupo Raymundo da Fonte possui cinco plantas industriais em três regiões do Brasil. Uma delas está localizada na Bahia, focada na produção de água sanitária, mas a empresa também produz outros materiais fundamentais para a limpeza do ambiente doméstico e higiene pessoal. São mais de 370 produtos. Por ano, são aproximadamente 300 milhões de litros de água sanitária, 270 milhões de unidades de sabonetes, 60 milhões de litros de vinagre e 45 milhões de litros de amaciante produzidos anualmente.

O grupo gera atualmente mais de 2,7 mil empregos diretos e tem mais de 500 profissionais de vendas. Na Bahia, são 266 funcionários diretos.

Segundo o presidente do grupo, Hisbello Lima Neto, a empresa está entre aquelas em que a produção industrial não parou. “Trata-se de produtos essenciais, que são fundamentais para a higienização de ambientes contra microrganismos”, lembra.

A operação foi ampliada. “Um turno foi aumentado na produção de álcool, para atender a maior procura do mercado, e houve contratação de pessoas para suprir o aumento de demanda. As maiores adaptações foram internas, para colocar em prática todas as medidas necessárias para a segurança sanitária dos funcionários, indicadas pelo Ministério da Saúde”, explica o executivo.

As medidas para evitar a contaminação dos trabalhadores foram reforçadas pelo grupo. “Nós implementamos uma série de ações preventivas recomendadas por especialistas e pelo Ministério da Saúde”, lembra o presidente do grupo Raymundo da Fonte, Hisbello Lima Neto. Home office para quem pode trabalhar remotamente, distribuição de EPIs, limitação de pessoas nos espaços e faixas de sinalização para demarcar distância adequada entre as pessoas, em áreas como refeitório e ambulatório, foram apenas algumas das iniciativas. 

“Para colaborar com a higienização das casas dos funcionários, entregamos kits com água sanitária, álcool em gel, sabão em barra, lava-louças, multiuso e sabonetes” - Hisbello Lima Neto, presidente do grupo Raymundo da Fonte

Conteúdo especial do projeto Indústria Forte, iniciativa do CORREIO, com o patrocínio do Hapvida, Sotero Ambiental e Yamana Gold, apoio da Claro, FIEB e Larco e parceria do Sebrae