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O Reino Unido dá cabo, nesta sexta-feira (31), de quase meio século de participação no bloco dos países europeusFoto: GLYN KIRK / AFP

Nos quatro anos do plebiscito ao Brexit, libra esterlina perdeu 11% do valor

De junho de 2016 até esta sexta-feira (31), Reino Unido teve três primeiros-ministros e passou por duas eleições gerais

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Loucura, novela, saga, premonição, bagunça, futuro promissor. A saída do Reino Unido da União Europeia (UE), processo conhecido como Brexit, já foi chamada de tudo nestes quatro anos em que passou a fazer parte da rotina dos britânicos e demais europeus.

Desde o início das campanhas para o plebiscito sobre a separação, em junho de 2016, três primeiros-ministros deram as diretrizes a partir de Downing Street, foram feitas duas eleições gerais no país e a libra perdeu mais de 11% de seu valor em termos nominais, sem contar a inflação do período.

Até o sino Big Ben, que muitos acham que é o relógio da torre do Parlamento, se emudeceu.

A divisa britânica sempre foi um orgulho nacional e, também por isso, o país nunca fez parte da Zona do Euro.

Nos últimos tempos, no entanto, a libra chegou a ser comparada a moedas de países emergentes, devido à sua grande e excepcional volatilidade em termos históricos.

Cotada a US$ 1,47 no primeiro dia de 2016, a moeda é negociada agora na casa US$ 1,30, tendo tocado nesse intervalo na mínima de US$ 1,19 em dois outubros: o de 2016 e o do ano passado.

Polarização

O país se dividiu em todos os sentidos desde então. Idosos e jovens apresentaram votações diferentes na consulta pública, assim como a capital britânica desejou ficar na UE ao contrário do interior, em massa.

Da mesma forma, Escócia e Irlanda do Norte não queriam mudanças, mas Inglaterra e País de Gales tiveram mais força nas urnas.

A eleição do atual primeiro-ministro, Boris Johnson, ocorreu porque os britânicos já estavam enfastiados sobre o assunto e queriam que o governo se concentrasse em medidas mais efetivas para a população, como saúde, educação e segurança.

Ele assumiu por meio de uma votação interna do Partido Conservador no lugar da antecessora Theresa May, que renunciou por não conseguir aprovar sua proposta para o Brexit no Parlamento, e foi reconduzido ao cargo em dezembro do ano passado.

Ideólogo

Por trás de toda a arquitetura do Brexit está Dominic Cummings. Hoje conselheiro de Johnson, desde o início do processo de retirada ele sempre atuou nos bastidores, tendo conseguido colher vitórias até agora.

E vale lembrar que o então primeiro-ministro David Cameron, que é contrário à separação, decidiu levar o tema à consulta pública em 2016 justamente para acalmar os políticos mais radicais de seu partido.

Foi um tiro no pé, por 52% contra 48% dos votos.

Nesse enredo arrastado, de altos e baixos, e que contou com muitos protestos contra a separação e manifestações a favor de um novo plebiscito, o Brexit finalmente entrou em vigor na noite desta sexta-feira, tendo escapado, antes, de outras três datas marcadas para começar: 29 de março, 12 de abril e 31 de outubro do ano passado.